A vida nos surpreende de várias maneiras incomuns, maneiras que já deixamos para trás ou que ainda nos serão apresentadas. Eu precisava escrever em um certo momento, mas eu não atendi a esse chamado, pois eu sei que acabaria comigo mesma, a dor seria uma inimiga, não me ensinaria nada e sei que não poderia absorver das situações deixando que meus sentimentos me controlem.
Muitos homens dizem que a verdade nos liberta, eu sinto que a verdade tão crua e pura - mesmo que maldosa-, me aprisionou em um mundo de desvantagens emocionais e sinto que a verdade das pessoas me limita a conhece-las melhor, me limita experimentar um outro significado de vida.
Hoje eu gostaria de ter saído, ter aproveitado ao máximo, ter colocado álcool em minha boca e senti que não seria uma pessoa boa fazendo isso. Não porque julgo essas coisas como erradas, mas porque eu estaria tapando o sol com a peneira, não faria isso por mim, não seria eu.Faria porque sei que ficaria sabendo, faria porque gostaria que me visse feliz e com outras pessoas.Eu não ajo sob influência do mundo, não ando conforme tem acontecido, ando porque gosto e tenho que ter parte enorme em meus pensamentos, por isso eu não seria eu e assim seria um desperdício tão medíocre, que no fundo de meus sentimentos e manias eu gostaria de despir-me de mim mesma com tanta babaquice.
Pois bem, ando meio sozinha, falando mais do que o normal, criando assuntos interessantes que possam me servir de base futuramente.Crio novas amizades, um mundo lindo no papel e cheio de defeitos carnais e humanos.Consigo acordar todos os dias, ir trabalhar, ler meus livros e criar poesias, faço tudo normalmente. Danço ao ouvir mpb, grito como uma desvairada com meu irmão e falo como um bebê com minha cadela. A questão é que há dois anos eu não escreveria isso e não seria tão realista. Você não está aqui para me ver agora e quando estava não pude entregar-te algo importante: minha opinião sem nenhuma orientação e influência sua. Sou curta e grossa, sou meio boba também e ajo com a maior naturalidade. Não vou chorar pelo leite derramado, não vou chorar porque não consigo sequer fingir meu querido.
Meu doce, minha vantagem maior era ter o seu sorriso e se você soubesse o quanto eu amava ele quando você chegava, viria todos os dias me ver...Ou permaneceria. Mesmo não sendo sobre você, é à ti que dedico grande parte das minhas palavras, que, na minha humilde opinião, estão sendo jogadas fora.Não é para te humilhar, não é para fazer você se sentir bem ou mal sem mim, na verdade sei que não irá ler. É somente pelo fato de que estou me acostumando com a vaga ideia de ter outro alguém e isso me deixa inquieta em faz perceber como eu me acostumaria.Não é para arrepiar, na verdade o texto todo compõe a nítida ideia de que nada aqui é para fazer alarde, ''nada cheira, nada fede'' e vou te apresentar o que havia me deixado ao seu lado o tempo que estávamos juntos: a ideia, ou a falta dele, de que nada sei.
Não estou nenhum pouco preocupada em transparecer sinceridade ou algum sentimento, mas a indiferença me faz mal.
O que eu não sabia, era que ao conhecer tudo e todos ao meu redor eu aprenderia e me conheceria também, esperei menos de mim, na verdade, não esperei nada. Mas acontece que apareceu enfim, sem a menor tentativa, tão natural e tão normal. Não, não me enganei e não poderei usar essa desculpa todas às vezes que algo dá errado, ser humana, nesta questão não é um privilégio, todos somos humanos e cometemos erros. E quando meu coração arder novamente, quando sentir medo e frio na barriga, quando eu sem querer começar a receber influências externas de algum mundo, mas que ao mesmo tempo faz-me transbordar o que sou e o que tenho. Terei alguém para chamar de ''amor''.
