A cada organização eu percebo o quanto eu diminui ao invés de crescer de uma vez. Parecem aqueles momentos únicos que interrompem meu crescimento para alguém maior, para um ser melhor. Ao mesmo tempo em que escrevo eu salto pra fora da minha realidade e, talvez, esteja evitando isso novamente.
Pois bem, crescer é vicioso. Lendas milenares e pregações da sociedade encenam isso há centenas de anos. O mal do século é continuar em seu casulo, rezar para que ninguém o encontre e depois, quem sabe, pregar que a dor é humanizadora.
Em cinco anos, escrevi mais do que eu poderia imaginar. É certo de que não houve um dia em que eu não escrevesse. Escrevi. Cinco anos, 365 dias cada, com certeza adicionando 1 dia a mais devido ao ano bissexto, o que em minhas contas, soma-se em 1.826 dias e mais esse ano presente, que ainda está para terminar. Nem sempre as palavras foram gentis, mas o que posso eu fazer, se a vida também não foi? Criados para expor traços de sentimentos invisíveis, o phatos, a indignação ou a simples miséria emocional.
É, acho que diminuí. Aquela mocinha que escrevia para Nina, sobre gêneros românticos, me faz ter um nojo incomum das coisas. Era tão bom, agora tudo tão desnecessário. Parece que a vida é sobre como deixar coisas e pessoas, um joguinho para desvendar o mistério de quem corre mais rápido das verdades que eu (aposto que você também) escrevia, quando era adolescente. Faltam 20 anos para que eu complete 40 e eu não sei nem o que acontecerá amanhã. Eu não sei de mais nada.
