Homens brancos, altos, cabelos grisalhos, lábios finos e sorrisos sacanas. Imagem tentadora para época que se denominava anos 90. Espelhos e reflexos vendidos para milhares de filmes. Dentre eles os mais românticos (e entre nós, as melhores histórias foram produzidas naquela época, histórias que hoje são totalmente clichês normais e vazias). Voltando ao contexto, jurei pra mim mesma que não usaria a palavra "clichê", para piorar em seu plural. Convenhamos, qual palavra descreveria momento de forma tão comum e correta? Não precisamos fugir para uma linguagem tão culta para falarmos sobre como nos relacionamos, e que talvez o meu entender de mundo, com 7 anos (até com pouco menos de idade) possa estar proporcionando esse grande buraco emocional e grotesco, que neste momento o quero afastar da minha vida.
Filmes românticos? Ah, sim... Aquele momento em que pequeninas pessoas em sua cabeça, inspirados por cenas falsas e montadas fabricam artesanalmente realidades que só poderão ser vividas ali. E quando Einstein disse que a imaginação é mais importante que a inteligência, aí meu bem, pode ter certeza de que você se encontrará numa grande pegadinha, armada por suas construções e manobrada por um joão kleber fajuto que no início parecia te garantir um grande momento sem igual de felicidade e satisfação.
As coisas não são como parecem. Não estou infeliz, acredite! Ah...é ... talvez esteja um pouco, mas o que me trouxe aqui foi algo muito alegre. Parecia ser.
Um dia eu resolvi perguntar a um homem se ele havia comparecido ao fórum. Ele me respondeu que não. Dois meses depois eu estava sem escrúpulos. Eu estava inefavelmente amando. De uma forma tão irreversível que pude me esquecer de todos os meus relacionamentos e feridas que não eram extintas. Na busca sedenta entre me encontrar, crescer, ser e amar, agora, eu não acho que exista algo mais verdadeiro do que eu.
A coragem proporciona medos absurdos nas pessoas que a tem em grandes escalas. Ela pode nos remeter a grandes desafios e inoportunos desastres. Mas jamais deixará que abandonemos o que possa existir de melhor em nós ou no caminho que trilhamos. Se nada estiver fazendo sentido, por favor, não desista. Mais que alimentar meu ego, essas palavras, talvez possam lhe ajudar.
Eu desisto facilmente dos meus planos, porque na verdade neles não habita nada do que eu acredite. Sempre foi mais instigante entender as pessoas e seus complexos do que realmente olhar para meus receios e dar-lhes um cuidado necessário. Quem eu sou e o que devo fazer agora? Perguntas constantes, todos os momentos do dia. Eu tenho 24 horas, mas eu faço o favor de nunca chegar a alguma conclusão, pois no meio da ponte para meu conhecimento interior eu disfarço minhas agonias de felicidade e penso em como não posso ter um amor completo? Eu tenho 21 anos. E em 21 anos, não houve um minuto em que eu pudesse me interessar pela pessoa que eu sou. Pela casca que habita meu corpo e ela só se tornava interessante quando alguém persistia em querer olhar.
Quando olham, vão embora. Eu sempre pensei que os entendia. Mas eu não entendo. Me culpo por quem eu sou e sei que assistir filmes românticos reprisados 5 vezes seguidas em um dia me colocou diante de uma grande cilada (corre, Bino!).
Fazer o que? Eu queria crescer e ser beijada. Mais que isso, vangloriada, ser alguém interessante, ter beleza, ter serenidade, ser refúgio e milhares de coisas idiotas que jamais precisamos cobrar de nossas almas, porque, assim como todo mundo, eu sou imensamente, grandemente, inevitavelmente humana. E o melhor de tudo: eu sou extremamente corajosa. Tudo parece estar inacabado, mas é apenas uma ilusão, porque a sua vida ainda não acabou.
Continue, Natalia.
