Escrevi no word e queria apenas copiar e colar, mas não daria certo porque as palavras seriam de duas, três semanas atrás e não é o que eu sinto hoje!
Desculpe-me pai, desculpe-me mãe. Ainda não estou pronta para isso, desde que nasci jamais estava. Eu não estou pronta para ser a filha exemplar. Acho que nasci cantando, pretinha, pretinha com os pés loucos para tocarem a terra roxa e dançar.
Demônios existem, mas anjos também podem. Não de todo terror e a infelicidade não me domina. Alguns não gostam, outros não gostam por não conseguirem acompanhar. Sou rápida e não posso suportar alguém do meu lado que ande lentamente enquanto corro. Não nasci para ser perfeita. Nasci para ter espinhas, estrias, gorduras e pés de galinhas sem me preocupar, aquelas linhas de expressão, o que me preocuparia é que eu não as tivesse por não sorrir. Talvez eu não seja normal entre os lírios, rosas, cravos e todo o jardim (mesmo que imenso e de uma diversidade anormal). Não nasci para crescer tão rápido e deixar que o melhor escape pelos dedos. Mas eu nasci e sou minha. E ser minha é algo que não vou descrever. Vou deixar até que em algum dia eu deixe de existir e possa nomear; sem essas palavras, sem essas ideias, e todos os números e letras com as quais posso escrever agora. Algum dia, quando eu deixar de pisar na terra roxa, seja talvez o dia que minha alma tire para que eu possa ser original, aí eu descreva, eu lhe mostre algo que você jamais viu ou teve ideia antes, porque jamais existiu. Isso toma conta de mim.
Correr não mais em estradas, em pontes, mas no mato, na terra e com os cabelos ao vento.
Não que demônios não existem, mas anjos também podem, porque nem de todo terror e a infelicidade não me domina. Pai, mãe, alegrem-se, pois eu nasci.
