Ter-te é não ter prazer
Ouvir-te é sangrar os tímpanos
E sorrir-lhe, todos os dentes amarelados
é um choro de perdão
Por jamais poder ficar
Me perdoe por essa dualidade
por essa hipérbole que
consome minhas palavras
Mas quero ter-te e
ao mesmo tempo
Fazer-te de outro
sangrar-te por colocar dúvidas
na minha mente
e beijar-te para que se cale
Perdoa esse meu sentimento de culpa
E essa vontade de ser
e ao mesmo tempo
de não ser
Essa minha natureza
de provocar
de entristecer
de resistir
de jamais deixar acontecer
Por saber que sou exclusiva
apenas da vida
e que não sei o que ela trará
e por fim, meu desmazelo
e minha falta de gênero textual
a minha expressiva coragem
E os ridículos medos
As frases prontas e doentias
Mas que nesse quadro
imponente de qualquer lembrança
Esdrúxula
E que nessa vontade
e jogos de prazeres
nenhum de nós reine
nenhum de nós ganhe
Por que a minha melhor parte
é quando eu estou distante
Sem fazer o menor efeito
em seus poemas
