Dualidade

29 de outubro de 2014

Ter-te é não ter prazer
Ouvir-te é sangrar os tímpanos
 E sorrir-lhe, todos os dentes amarelados
é um choro de perdão
Por jamais poder ficar

Me perdoe por essa dualidade
por essa hipérbole que
consome minhas palavras

Mas quero ter-te e
ao mesmo tempo
Fazer-te de outro
sangrar-te por colocar dúvidas
na minha mente
e beijar-te para que se cale

Perdoa esse meu sentimento de culpa
E essa vontade de ser
e ao mesmo tempo
de não ser

Essa minha natureza
de provocar
de entristecer
de resistir
de jamais deixar acontecer

Por saber que sou exclusiva
apenas da vida
e que não sei o que ela trará

e por fim, meu desmazelo
e minha falta de gênero textual
a minha expressiva coragem
E os ridículos medos

As frases prontas e doentias
Mas que nesse quadro
imponente de qualquer lembrança
Esdrúxula

E que nessa vontade
e jogos de prazeres
nenhum de nós reine
nenhum de nós ganhe

Por que a minha melhor parte
é quando eu estou distante
Sem fazer o menor efeito
em seus poemas





 
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