Me sinto tão velho, doído,
machucado. Quase um enfermo convalescendo de verdade. Esperando o tempo
passar. Esperando as paredes brancas, encardidas ficarem, e as frestas
das janelas chorarem com a ventania em chuva lá fora. Me sinto tão
velho. Tão doído. Um enfermo, sentado observando o céu que se desnuda ao
amanhecer. Não eu não gosto das manhãs de sol. Odeio os dias
ensolarados e o cheiro de praia. Prefiro quando é noite, quando venta.
Quando posso olhar mil e um janelas acesas da minha varanda ao som da
voz de uma cantora frondosa num bom e velho toca discos. Eu sou tão
velho. Doído. Enfermo. Permaneço sentado, perdendo a vitalidade, o tempo
e o sorriso.
Sócrates
