De repente me deparei com um poço, vazio e escuro, eu grito e ouço meu eco. Mas que chato, minha voz em dobro, neste momento caio na aflição.Caio na demente pergunta: o que será que é um ponto?
Será que é a tampa de uma panela? O outro lado do canudo. Uma tigela?
Parece a lua de quem não vê a beleza, parece a tampa de uma caneta, uma sombra sem guia.
Marcados num infinito trajeto, algo que me alucina.
Parece o sol de quem é cego, a luz de quem não tem pureza.
Parece o ponto do relógio a girar, a terra seca que eu brincava.
Me perdi na escuridão e vejo uma superfície de luz que parece estar em mim.
Na verdade, o que será um ponto, aos olhos da humanidade, de alguém que não tem a si próprio nem nada? Será a luz na escuridão, uma chama acesa, um tição?O que será ele para alguém que não sabe das respostas para as próprias inquietudes? De alguém que rouba, mata, morre na pura angústia?
Apenas um exilado, inestimado e fracassado ponto.
