No meu lugar de descanso, me bajulem é assim que perco encantos.
Abuse dos meus atos e da minha sinceridade
O que eu busco é mais que frestas
Eu sei, não vou viver e saber que foi apenas mais um engano
E talvez eu ande pelos cantos
Cantando, chorando, dane-se o mundo
O que eu quero é continuar andando
Não pedirei favores, não serei grata
Não por não serem comigo
Mas é por que não quero morrer vivo
É que já estou cansada
Tudo me oprime como fogo
E tudo que existe nas queimaduras
Nada são além de manhas, choros
E não chorarei do seu lado
Não sorrirei , como um exilado
Do ódio e da permanência do amor
E de todo o mundo, na verdade de todo o horror
E depois de ser queimada e morrer
Perder encantos e sofrer
Perder os vôos da ficção
Sinto horrores em mim
Algo que me fez sofrer
Mas será que pode me fazer reviver?
E então?
Eu olho pro relógio e vejo os minutos se passarem
Como alguma proveniência
Mentira, mais como maldade
E haja paciência
Perdi encantos , perdi amores
Perdi meus cachorros
Meus leitores
Me diga agora e o que me falta perder
Além de poder alguma coisa escolher?
Isto é uma crueldade
Falta perder patologicamente uma fé
Nem sei bem o que é
Mas algo que me faça regressar
Que possa me lembrar das minhas malditas noites de insônia
Ou dos dias quentes , principalmente dos vexames.
Mas de algum modo me deram respostas
Sem saber de qualquer valor
Me perdi na ignorância tumultuada
Na verdade em algo que nem começou
Não vi as lágrimas caírem
Dos meus olhos, é certo.
Mas também não vi me compararem com algum cego
E ainda ando sem saber bem o que é
Talvez algo comum
Que nem chegue a ser algo qualquer
Vigiando os muros
Pondo as palavras nos lugares
Esse é um mundo
E mesmo calada eu ainda me pergunto
E quem perguntou?
O que fulano achou
Da verdade súbita de Aristóteles, de Nisztche
E até do seu próprio amor?
Tudo vai numa continuidade terrível
Submetida com meus brinquedos
Dos que não podia levar na missa
Igreja não é lugar pra brinquedo
Mamãe dizia
Então me diga
Porque toda palavra se contradizia?
Num espaço e tempo incurável
E quem perguntou que você tem que ser perfeito
Teve eleição?Quem foi o eleito
Do alto do monte eu vi o sol se por
Para muitos isso é o próprio terror.
Guardado na noite do seu redentor
E quem algum dia , te perguntou
O que você queria naquele dia?
Ou até mesmo o que você ousaria?
E quem te perguntou o que você seria?
Quem te perguntou?
Ninguém, então seja seu próprio salvador .
Chega a ser insensível ver
A que ponto o planeta chegou
Na verdade me sinto mais que invisível
Sozinha, na noite estrelada
Não ouço sons, nem rio das piadas
As pessoas fracassadas te dizem
Que você não é nada
Mas é você que fica acordado
Na calada da noite , chorando
Imaginando os coros cantando
E expulsando todo esse esplendor
Nas suas cantigas , veja encontrei
Algum sinal de amor, mas pare de dizer sobre ele
Como se fosse uma cantiga de fervor
Letras grandes, letras pequenas
Ninguém se preocupou em rimar
Em ter riquezas, sobre esse assunto falar
Como os planaltos são cheios de graça
E os políticos se enchem de desgraça
Nas suas meias fartas
Você vê a economia que no Brasil falta.
E dos professores nas classes, você vê
A nossa desigualdade, pessoas querendo ler
Outros nem pensam em escrever
Os poemas não podem ser escritos
Nem lidos, devem ser manuseados e assim deliciados
Ser testemunha do céu que lá nas nuvens existe
Algum desenho, pessoas tristes
No céu os vasos grandes, na terra flores lindas
As pessoas vão embora e a angústia fica
No mais profundo mar encontrei letras
E agora pareço uma perfeita besta
Sou impaciente e indecisa
Como uma parede, mas precisa ser demolida
Andei muito pra aprender
Mas ninguém quer saber
De te ensinar
Nem ligam se você se perder
Mas dos meus olhos nessa vida
Eu já vivi muitas armadilhas
Dos meus olhos eu vejo minhas feridas
Das curáveis até as mais malditas
Não pense em elogios, nem designação
Pense em você como o futuro da nação
Ela estará perdida?Qual será a situação?
Mas antes pense em você, não como um egoísta
Mas se ame, e assim poderá ter um coração
E lembre-se , não teve eleição
Ninguém é perfeito, não há lógicas,
Não há razão
Porque ninguém te pergunta se você está machucado ou não
Ninguém pergunta, ninguém quer saber
Pergunte a si mesmo toda vez que quiser saber
Mas não espere para recomeçar por que de repente você se pergunta algo que ninguém tem coragem de perguntar
E o pior vem a resposta que você não ousa pensar
E quem perguntou que se vire, porque das mais sedentas moradas e da pior armada
Você escapa se sacia e depois se mata.
Porque ninguém é feito pra durar muito, mas tudo tem propósito.
Ninguém escreveu seu repertório.
Sua vida é um poema
As vezes não vai rimar
Mas vale a pena manusear e se deliciar
E o resto que vier serão músicas, textos ,disfarces
Algo que dá pra inventar e reinventar
E continuar a andar.
