Acho que preciso ser, que precise correr e acabar pra sempre
Toda vez que eu ando eu acabo esquecendo de tudo, acho que de mim mesma
Eu não me pergunto porque carrego tanto ódio
Eu me pergunto porque eu nasci tão sedenta por amor
Eu não sei amar
Bom, acho que o meu jeito cabe somente a mim
Sofro, em silêncio.
Detesto as unhas, as mãos, o rosto e eu amo tanto o vento
Eu reviro os olhos e digo a mim mesma para não chorar
Até que enfim algo que eu obedeça
Deve caber a mim
Sem enigma
Sem resposta
Ou com tudo ao mesmo tempo
Todos dizem que devo me encontrar
Ser feliz
Ser necessária à minha própria felicidade
Eu me perco
Quanto mais me acho mais me perco
Acho que não é normativo
Acho que deve ser normal não poder ser feliz de verdade o tempo inteiro
Falo por mim, pra outros, deve ser normal ser feliz de verdade o tempo inteiro
O que é o tempo inteiro, senão muitos e pequenos momentos?
Todos desiludidos
Minha posição política
Meu orgulho
Meu amor e ódio
O pior de mim se encontra todas as vezes em crises
Melhoradas com remédio
Ou humanizadas pela grande dor
Acho que já sei quem sou eu
Eu só tenho essa grande mania de me perder sempre.
